A Diretiva de Monitoramento do Solo – para solos mais saudáveis e sustentáveis na Europa
Author(s): Растителна защита
Date: 01.12.2025
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No final de setembro, o Parlamento Europeu (PE) adotou a Diretiva de Monitorização do Solo, que visa que todos os solos da UE estejam em boa saúde até 2050. A medida faz parte da ambição de „poluição zero“ da União e introduz um sistema mais harmonizado para monitorizar a qualidade do solo, sem criar novas obrigações para agricultores e silvicultores. Este é um passo fundamental para solos mais saudáveis e sustentáveis, que são vitais para a segurança alimentar, água limpa e o ambiente.
Solos saudáveis para alimentos saudáveis e agricultura sustentável
De acordo com dados da Comissão Europeia (CE), entre 60 e 70% dos solos na UE encontram-se num estado insalubre – devido à urbanização, agricultura intensiva e alterações climáticas. Isso degrada a produtividade das terras agrícolas e aumenta os custos de restauração de ecossistemas, estimados em pelo menos €50 mil milhões anualmente.
A nova lei garantirá que todos os Estados-Membros monitorizem e avaliem o estado dos seus solos, utilizando critérios comuns para indicadores físicos, químicos e biológicos da saúde do solo.
Ao abrigo da diretiva, os Estados-Membros estabelecerão sistemas de monitorização para avaliar o estado físico, químico e biológico dos solos no seu território com base numa metodologia comum da UE. Reportarão regularmente à Comissão e à Agência Europeia do Ambiente sobre o estado da saúde do solo, a ocupação do solo e os locais contaminados, garantindo que dados comparáveis estejam disponíveis em toda a UE e que ações coordenadas possam ser tomadas para combater a degradação do solo. Serão também tomadas medidas para monitorizar poluentes de preocupação crescente, como as PFAS („químicos eternos“) *, pesticidas e micropartículas de plástico.
A diretiva não impõe novas obrigações aos agricultores e proprietários de terras. Em vez disso, os Estados-Membros terão de fornecer apoio e aconselhamento aos agricultores para melhorar a resiliência e a saúde do solo.
O apoio pode incluir formação, aconselhamento independente, atividades de investigação e campanhas de sensibilização sobre os benefícios da proteção do solo. Além disso, os estados avaliarão regularmente os custos financeiros para agricultores e silvicultores relacionados com a melhoria da saúde do solo.
Mapa de Solos Potencialmente Contaminados
No prazo de 10 anos a contar da entrada em vigor da diretiva, cada Estado-Membro da UE terá de elaborar um registo público de locais potencialmente contaminados e tomar medidas se houver um risco para a saúde humana ou para o ambiente.
Será também estabelecida uma lista de vigilância de substâncias emergentes que podem representar uma ameaça para os solos, incluindo PFAS („químicos eternos“) e pesticidas.
A diretiva entrará em vigor 20 dias após a sua publicação no Jornal Oficial da UE, e os Estados-Membros terão três anos para a transpor.
O difícil caminho para um quadro legislativo para uma Lei de Monitorização do Solo na UE
Embora muitos atos legislativos e instrumentos políticos da UE se relacionem com a proteção do solo, os solos carecem de um quadro legislativo dedicado a nível da UE, como existe para outros ecossistemas chave (água, ar, ambiente marinho). Em novembro de 2021, como parte da Estratégia de Biodiversidade da UE para 2030, a Comissão adotou uma nova Estratégia da UE para o Solo, cujo principal objetivo é que todos os solos da UE estejam em boas condições até 2050. A estratégia também aponta a falta de legislação dedicada da UE como uma das principais causas da degradação do solo. Como solução para esta questão, em julho de 2023, a Comissão propôs a Lei de Monitorização do Solo.
*O grupo de substâncias per e polifluoroalquiladas (PFAS), que consiste em mais de 4700 produtos químicos, inclui produtos químicos artificiais amplamente utilizados que se acumulam ao longo do tempo no corpo humano e no ambiente. Estas substâncias são conhecidas como „químicos eternos“ porque são extremamente persistentes no ambiente e no corpo humano. Podem causar problemas de saúde como danos no fígado, doenças da tiroide, obesidade, problemas reprodutivos e cancro.
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