A França adotou a proibição total do acetamipride – o último do grupo dos neonicotinoides autorizados na UE

Author(s): Растителна защита
Date: 16.08.2025      531

O presidente francês, Macron, assinou uma lei que proíbe definitivamente a reintrodução do pesticida acetamiprida, apontado como responsável pela mortalidade em massa de abelhas, relata a France 24. A substância ativa acetamiprida enfraquece o sistema imunológico das abelhas e prejudica sua reprodução, mas também é nociva para outras espécies benéficas. Ao mesmo tempo, os agricultores franceses enfrentam o sério desafio de proteger suas culturas do número crescente de pragas nos últimos anos, período durante o qual a UE perseguiu uma política de redução do uso de pesticidas.

A lei foi publicada no Diário Oficial do governo em 12.08 (terça-feira), após o Conselho Constitucional, o mais alto tribunal do país, anular a disposição contestada para a reintrodução da acetamiprida. O tribunal afirmou que os inseticidas conhecidos como neonicotinoides representam "riscos para a saúde humana" e são inconstitucionais porque infringem o direito à vida em um ambiente equilibrado e saudável, garantido pela Carta do Meio Ambiente do país.

Críticos do projeto de lei, adotado em julho pela câmara baixa do parlamento, alegam que ele foi aprovado às pressas sem debate suficiente. Inicialmente, o governo pretendia restaurar o uso do pesticida para ajudar os agricultores a controlar o número cada vez maior de pragas, mas mais de dois milhões de pessoas na França assinaram uma petição contra, inclinando a balança a favor dos apoiadores da lei para abolir a substância química. O principal sindicato agrícola se opôs à decisão do tribunal e mais uma vez pediu sua revisão em nome da concorrência justa com seus homólogos europeus, já que em outros países da UE o inseticida é aplicado legalmente, embora sob certas condições.

É chamado de "assassino de abelhas", mas também é perigoso para outros insetos

A acetamiprida é um inseticida sintético desenvolvido na década de 1980 e usado na agricultura desde os anos 1990, particularmente em culturas como canola e batata, pomares, viticultura e floricultura. Como todos os neonicotinoides, afeta o sistema nervoso dos insetos. Os insetos polinizadores não apenas são envenenados, mas muitos também sofrem danos de longo prazo, como orientação e reprodução prejudicadas. A acetamiprida é um inseticida de contato e sistêmico, o que significa que o produto químico se espalha pelos tecidos da planta e também é ingerido por insetos herbívoros que, na verdade, não são pragas.

Organizações de defesa do consumidor há muito tempo pedem a proibição total do inseticida, cuja aprovação na UE foi estendida até 2033. A contaminação de frutas e vegetais com o pesticida aumentou mais de três vezes nos últimos anos, e a pulverização aumentou ainda mais após a proibição de outros neonicotinoides, de acordo com dados da organização não governamental Foodwatch 2023. Segundo o estudo, resíduos foram encontrados em 2,1% de todas as amostras de alimentos testadas em 2012 e em 7,4% em 2021. Cerejas doces, abobrinhas, berinjelas, espinafre e pimentões, juntamente com frutas de pomóideas (maçãs, peras), frutas de caroço (damasco, cereja, pêssego), uvas, bagas, tomates, pimentões, pepinos e alface, eram frequentemente contaminados.

Numerosos estudos científicos foram realizados sobre os efeitos ambientais e de saúde do uso da substância química. Um estudo recente da Universidade de Hohenheim, em Stuttgart, descobriu que a acetamiprida é mais de 11.000 vezes mais tóxica para certos insetos do que indicado pelos testes de sensibilidade prescritos, por exemplo, em abelhas melíferas. Uma série de experimentos de campo, estufa e laboratório analisou os efeitos da acetamiprida em vários percevejos. Eles são amplamente difundidos e, além de danificar culturas de vegetais e frutas, também são uma fonte de alimento para pássaros e invertebrados.

Por que os agricultores na França não concordam com a decisão do Conselho Constitucional

A França é o maior produtor de beterraba sacarina da UE, e a cultura é cada vez mais afetada por doenças virais transmitidas por pulgões, que são vetores de várias doenças economicamente importantes.

Na prática, desde 2018 os produtores franceses não têm permissão para usar acetamiprida, que é usada contra pulgões na beterraba sacarina e também é uma boa alternativa aos piretróides, que apresentam alto risco de desenvolvimento de resistência.

A acetamiprida faz parte dos programas de proteção de plantas de outros países da União Europeia (UE), e seus defensores argumentam que os agricultores franceses precisam dela para ajudá-los a competir com seus homólogos europeus.

Ao mesmo tempo, em países como a Alemanha, onde a produção de beterraba sacarina e forrageira também é significativa, o Regulamento (CE) nº 1107/2009 está atualmente sendo aplicado em caráter de emergência, permitindo que os agricultores usem o inseticida por até 120 dias. A partir da primavera de 2024, os agricultores de lá podem usar o produto de proteção de plantas também em canola e batata, e os fruticultores podem usá-lo na produção de maçã.

A situação na França demonstra os complexos desafios da regulamentação de pesticidas, onde os interesses de agricultores, ambientalistas e cientistas colidem. O debate em torno da acetamiprida mostra que a decisão de aprovar pesticidas muitas vezes depende de um equilíbrio cuidadoso entre interesses econômicos e riscos para a saúde e o meio ambiente.